Juliana Castellan | Redatora Publicitária

Entrevista com Patch Adams

August 16, 2008 · 2 Comments

No dia 7 de novembro de 2007, foi ao ar na TV Cultura, uma entrevista com o médico americano Patch Adams.

 

Após se formar médico pela Virginia Medical University, nos Estados Unidos, Patch fundou o instituto Gesundheit, que significa saúde em alemão. Localizada no estado de West Virginia, a clínica atende gratuitamente centenas de pacientes todos os anos. 

 

Estava hoje, pela manhã, vendo no Youtube alguns trechos dessa entrevista e achei muito interessante. Que o doutor é inteligente, eu não duvidava, óbvio! Mas achei fantástica a forma como ele expressa suas opiniões sobre o filme, os EUA, a medicina no mundo e o nosso país. Motivo este que me faz abrir o blog com as melhores partes da entrevista que durou cerca de uma hora. 

 

“(…) O que não entendo com você e com o resto do mundo é: Thomas Jefferson escreveu na Declaração de Independência… “Quando o curso dos acontecimentos tornar-se necessário, levantar-se contra a tirania…”
Então, quando você vê uma coisa errada com o seu casamento, consigo mesmo, no trabalho ou na escola, o que é que foi perdido e nunca foi ensinado na nossa humanidade?  O que você faz é o seu projeto. O que nos faz calar? Você vê o chefe dar um beliscão no traseiro da secretária e disfarça. Você morre naquela hora. No instante em que a boca calar por medo de perder o cargo, você morre. Uma parte de você, uma parte de ser humano morre. O que nos faz pensar? Jornalismo é ótimo porque não existe jornalismo. Não nos EUA. São todos marionetes da riqueza. Antes o jornalismo existia. Cinco empresas detém 70% dos meios de comunicação do mundo. São máquinas de propaganda, não existe jornalismo ali. Acha que alguém deixaria Patch Adams dizer na televisão dos EUA que Bush é nazista? Nunca.
(…) Realmente me sinto, como cidadão dos EUA, onde menos de 10% da nossa população pensa. Nunca pensa. 365 dias por ano, acho que 90% da população dos EUA nunca faz o que se chama de “pensar”. Em inglês é preciso dizer “pensamento crítico”, porque nos distanciamos tanto do pensar que precisamos dar-lhe o apoio do pensamento crítico. Quando o pensamento não é crítico?
(…) E, estou aqui, para incentivar as pessoas a ser a revolução na vida. Uma revolução é ser cordial. Uma subseção a ser cordial é ser cordial com uma criança enferma hospitalizada. Existem 10 milhões de subseções a ser cordial.”
“Tenho vergonha de ser americano. Somos o país terrorista. Todos sabemos que não existe mais país, é a globalização. As transnacionais são as donas do mundo. O século XX foi o último com países, não significa nada. Vindo pra cá, o que vi de Brasil? Vocês estão destruindo o que é Brasil, a Amazônia. Nunca tive nacionalismo, ele é um problema. Historicamente, sempre foi um problema. Tenho vergonha, sim! O mundo todo teme o meu país e as pessoas estão bravas com ele. Não sou esse tipo de gente. Quero botar o meu governo em prisão perpétua por assassinato em massa.”  

 

Para assistir a entrevista completa, acesse o Youtube e procure por “Patch Adams – Roda Viva“. De forma muito bem humorada, o médico coloca em questão assuntos importantes que realmente nos fazem parar pra pensar. Vale a pena conferir!

 

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2 responses so far ↓

  • Thaís SBA // August 16, 2008 at 4:29 am

    Não tenho muito o que falar, é aquele tipo de coisa que a gente lê e fica olhando pra tela um tempão sem saber ao certo o que dizer!
    O que dizer? Ele já disse tudo.
    Principalmente quando fala da parte de nós que morre quando a gente cala em determinadas situações.
    O ser humano vive morrendo, vive matando partes de si mesmo em pequenas atitudes, impactando em grandes eventos e quase sempre destruidores.
    Bom saber que não existem apenas seres no mundo, mas que existam ainda os seres humanos, como essa excepcional figura que você nos deu o prazer de colocar hoje no seu blog.
    Linda.
    Bjos

  • aleagentil // August 16, 2008 at 7:05 am

    Esse cara é um gênio.
    Assisti esta entrevista no dia que passou e quando teve reprise! Tive sorte.

    Achei algumas idéias dele bem radicais e utópicas, ainda sim é um gênio.

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