Juliana Castellan | Redatora Publicitária

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“Tem gente achando que você é analfabeto, e você nem desconfia.”

September 5, 2008 · 9 Comments

No post “Ler ou não ler, eis a questão!”, falei sobre a importância da leitura. Um dos meus melhores leitores, o Zé Luiz, que é um redator fantástico do Ceará, com quem passo noites criando, comentou sobre um texto famoso, escrito por Ruy Lindenberg, redator da W/Brasil.

Esse texto foi publicado em agosto de 2001, no jornal Valor Econômico. Surpreendentemente, recebeu mais de 400 emails e a agência lançou um livro com 277 páginas, contendo os comentários recebidos. Vale lembrar que o anúncio foi criado por uma dupla: Ruy e Javier Talavera.

“Semana passada, eu recebi um convite para fazer um anúncio para você. Na verdade, nós: eu (meu nome é Ruy) e o diretor de arte Javier Talavera, também da W/Brasil. Aí, colocamos os pés em cima da mesa, pois é assim que se faz nas agências de propaganda quando é preciso pensar num assunto muito importante. O tema era livre, poderíamos anunciar qualquer coisa que quiséssemos, já que o espaço tinha sido cedido pelo jornal Valor Econômico para estimular a criatividade no mercado publicitário. Nós nem tínhamos começado o trabalho, e uma coisa já parecia resolvida: bastavam um título intrigante, um visual interessante, duas linhas de texto, e o anúncio estaria pronto. Pois é exatamente isso que algumas pessoas imaginam que você espera de um anúncio. E essas pessoas são as mesmas que têm falado algumas coisas bem desagradáveis sobre você nas salas de reunião. Eu tenho escutado que você não gosta muito de ler, que tem preguiça de textos longos, que jamais perderia seu tempo lendo propaganda.

Por incrível que pareça, quem tem falado isso é gente bem-intencionada, são gerentes de marketing, donos de empresas, pessoas que garantem que conhecem você como ninguém, que fizeram pesquisas, falaram com seus amigos, conhecem sua mulher, seus hábitos em detalhes. São profissionais sérios, gente que decide propaganda, o que você vai ver num anúncio, o que vai ler e também o que não vai ler. Eu confesso que, nessas ocasiões, tenho discutido muito, insistido em dizer que, além de ler jornal todos os dias, você também gosta de ler notícias do produto que vai comprar.

Embora eu não tenha instituto de pesquisa, não conheça você pessoalmente, não saiba sua idade, nem mesmo se você é homem ou mulher, de uma coisa eu tenho certeza: você é uma pessoa sensível, interessante e, principalmente, alfabetizada.  

Tenho garantido aos clientes que você aprecia o humor, gosta e precisa de informação, adora ler e é justamente por isso que assina ou compra jornal. Tenho lutado para que os anúncios não saiam das salas de reunião frios, burocráticos, chatos, sem graça nem emoção. Agora, confesso que várias vezes tenho sido derrotado nessas discussões, levando como lição de casa a tarefa de diminuir o texto para 2 ou 3 linhas e aumentar o logotipo do cliente em 4 ou 5 vezes. Por isso, o Javier e eu decidimos não fazer um anúncio nesta página vendendo alguma coisa, mas resolvemos aproveitar este espaço para contar tudo isto para você, para mostrar o que andam falando e pensando de você.

E não existe espaço melhor para isso do que as páginas de um jornal. Por isso, se você leu este anúncio até aqui, para nós é uma grande vitória. Temos certeza que, se estivéssemos falando de um produto interessante para uma pessoa interessada como você, ele teria sido lido mesmo que o texto fosse tão longo como este. Por isso, obrigado por você ter confirmado que nós estávamos certos. E, se você quiser aproveitar a oportunidade para reforçar seu ponto de vista, mande um e-mail para a gente, pois, na próxima vez que um cliente falar que você não lê, nós vamos mostrar a ele o seu depoimento. 

Vamos provar que tem gente inteligente lendo anúncios, sim, senhor, gente que gosta de ouvir uma boa argumentação, gente que adora dar risada diante de um anúncio divertido, gente que quer se emocionar, gente que, antes de ser Classe B1, do sexo masculino, com rendimento de 10 salários e idade entre 25 e 55 anos, é gente. Gente que não quer ser tratada como analfabeta nem desligada só porque o mundo está cada vez mais rápido, mais visual e mais instantâneo. 

Mande seu e-mail. Talvez assim nós tenhamos anúncios melhores e consumidores mais bem informados. Como você, por exemplo.”

Esse texto pode ser encontrado no livro Criação Sem Pistolão, de Carlos Domingos. Um ótimo livro, conhecido como a bíblia dos estagiários. Para os interessados em Propaganda, fica a dica.

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Uma vírgula no lugar errado [2]

September 3, 2008 · 3 Comments

Sempre fui adepta da seguinte idéia: tudo o que precisamos está em nós, não no mundo que nos cerca. O mundo é, apenas, o espaço que temos para alcançar nossos objetivos.

O que tem prioridade na sua vida? Fiz uma escala na qual entram, na seguinte ordem: Deus, minha família, eu mesma, minha profissão e meus amigos (falo dos reais amigos). Essas são minhas paixões, as pessoas e coisas que conheço verdadeiramente. Por elas, eu moveria o mundo e faria o que fosse necessário, nada me pararia. Mas o resto não deve ser tratado como prioridade.

Creio que hoje em dia, amar o próximo é uma atividade totalmente insana. Eu não conheço o próximo como a mim mesma. A ele, devo meu máximo: respeito. Desde sempre agi conforme as minhas vontades e nunca fiz nada que fosse contrário a isso para agradar alguém. Se faço é porque quero fazer, se não faço, não espere nada de mim. Isso não me soa como egoísmo, e sim, transparência.

Entendam o seguinte: não estou falando que as pessoas podem viver sozinhas, sem dependerem umas das outras. Estou falando que amar tudo e todos é hipocrisia. Estou falando, também, que as pessoas deveriam esperar menos umas das outras e fazer mais por si mesmas. Todo mundo tem essa capacidade e poucos a identificam. Pessoas que não são bem resolvidas consigo mesmas, não tem capacidade para ajudar ninguém.

Minha motivação varia de situação para situação, mas é uma só: meu objetivo naquele momento. A fé, a esperança, a força, as coisas que preciso para ir atrás do que quero, não vão chegar nas mãos de outra pessoa. Até mesmo a tristeza que posso sentir diante de uma situação pode ser controlada. Ela pode ser inevitável, mas o sofrimento é opcional. Existe um longo passo entre uma coisa e outra.

“A maior distância que já percorri, foi entre a minha cabeça e o meu coração.”

Você não precisa concordar, mas se as pessoas acreditassem mais nessa frase criariam menos expectativas e viveriam menos decepções.

Então, sobre a frase do post anterior, tenho a dizer que, no meu ponto de vista, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” em si mesmo. Se você esperar algo por anos e não ver caindo do céu ou se você se conformar com uma derrota e estagnar no tempo, o único responsável é você. Mas com relação ao que cativas em outras pessoas, nem sempre você é o responsável. A mente humana é muito complexa para definir isso, cada um interpreta o próximo da maneira que quer. Se uma pessoa quiser te olhar com bons olhos, pode enxergar beleza em tudo que você fizer. Em contrapartida, se quiser olhar de forma negativa, nada que você faça pode mudar o ponto de vista daquela pessoa. Não depende totalmente de você o que ela sente, depende dela.

“Captar a intenção de alguém é uma coisa, interpretar o que foi captado é outra completamente diferente. Como saber interpretar a pausa de uma vírgula, mas num lugar completamente errado da frase.”

Acompanhe o mesmo tema clicando aqui.

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Ter consciência de que:

September 3, 2008 · 3 Comments

“Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
(O Pequeno Príncipe de Antonny Saint-Exupery)

 

Aceito opiniões. No próximo post deixo meu ponto de vista.

 

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